Dicas científicas para quem quer ficar mais feliz

Seres humanos são diferentes por essência – e é sempre bom que haja alguma diferença. Tem quem se dê bem fazendo cálculo, tem quem não se imagine fazendo outra coisa que não música. Em matéria de afinidade, cada pessoa segue um rumo diferente, mas, quando pensamos em um objetivo maior, parece que todos queremos a mesma coisa: felicidade.

A revista Time publicou uma série de rituais que podem nos deixar felizes. E não estamos falando de dicas subjetivas ou abstratas demais – na verdade, esses rituais foram escolhidos com bases em pesquisas na área de neurociência, que estuda a fundo o nosso sistema nervoso e, por consequência, o cérebro humano. No artigo, escrito por Eric Barker, temos conselhos vindos do pesquisador e neurocientista Alex Korb, da Universidade da Califórnia. Não custa conferir o que esse cara tem a dizer:

1 – Qual é a melhor pergunta para fazer quando você está se sentindo para baixo?

Por mais estranho que seja, a verdade é que às vezes nos sentimos culpados ou envergonhados por estarmos felizes. Já aconteceu com você? Se sim, pode respirar aliviado: culpa e vergonha são sentimentos que ativam a nossa região cerebral de recompensa, que é a mesma ativada quando alguém usa drogas ou come chocolate.

“Apesar de suas diferenças, orgulho, vergonha e culpa ativam circuitos neurais similares, incluindo o córtex pré-frontal dorsomedial, amídala, ínsula e o núcleo accumbens. Curiosamente, orgulho é a mais poderosa dessas emoções no que diz respeito a provocar atividades nessas regiões – exceto no núcleo accumbens, onde culpa e vergonha ganham. Isso explica por que pode ser atraente alimentar a culpa e a vergonha em nós mesmos – essas emoções estão ativando o centro de recompensa do cérebro”, explica o neurocientista.

Ou seja: o fato de nos sentirmos culpados ou com vergonha de algum tipo de felicidade é, na verdade, um mecanismo cerebral que nos faz ir em busca de experiências similares – vale lembrar que estamos falando da sensação de culpa e/ou vergonha em relação a atividades comuns, como fazer sexo ou dançar a noite inteira na melhor balada de todas.

Da mesma forma que a culpa e a vergonha ativam a mesma área cerebral que é “ligada” quando comemos chocolate ou quando alguém usa drogas, a preocupação, que também interpretamos como algo essencialmente ruim, tem a capacidade de fazer com que nos sintamos melhor. De acordo com Korb, quando estamos ansiosos, por exemplo, nosso cérebro interpreta que a preocupação que temos com relação a isso é melhor do que nada.

Antes que você saia por aí feliz da vida por sentir culpa, vergonha e preocupação, saiba que esses são sentimentos prejudiciais a longo prazo. A dica é sempre perguntar a si mesmo a seguinte questão: “Pelo que eu sou grato?”. Gratidão, como todo mundo sabe, é um sentimento fabuloso que, ainda por cima, faz com que seu cérebro funcione melhor.

De acordo com Korb, sentir gratidão afeta nossa produção de dopamina, um neurotransmissor relacionado ao movimento, à memória e à sensação de bem-estar. Muitos antidepressivos atuam fazendo com que o corpo produza essa mesma substância. E não para por aí: gratidão também estimula a produção de serotonina, outra substância mágica que nos deixa com uma boa sensação.

“Tentar pensar em coisas pelas quais você é grato força você a focar nos aspectos positivos da sua vida. Esse simples ato aumenta a produção de serotonina no córtex cingulado anterior”, afirma o neurocientista. Se a sua vida não anda com muita coisa boa, saiba que só o esforço de tentar pensar em algo que nos faça querer agradecer já funciona.

“Um estudo revelou que isso [demonstrar gratidão] na verdade afeta a densidade neuronal tanto no córtex ventromedial quanto no lateral pré-frontal. Essa mudança de densidade sugere que, na medida em que a inteligência emocional cresce, os neurônios nessas áreas se tornam mais eficientes”, complementa o neurocientista – se você tem interesse em aprender mais sobre inteligência emocional, confira as publicações sobre o tema no Mega.

2 – Dê nome a esses sentimentos ruins

De repente, você está péssimo. Por quê? Que tal nomear o que está fazendo com que você se sinta dessa maneira? Pode ser tristeza, raiva, ciúme, ansiedade. O importante aqui é sempre dar nome aos bois.

Korb cita um estudo recente, no qual os participantes viam imagens de pessoas com expressões faciais emocionais. Como era previsto, a região cerebral ativada quando os voluntários viam as imagens era a amídala, mas, quando tiveram que reconhecer cada emoção, a reação da amidala diminuiu e o córtex pré-frontal ventrolateral foi ativado. Sabe o que isso significa? Que reconhecer uma emoção negativa diminui os impactos que ela tem sobre você.

O mesmo estudo reparou que todas as pessoas que tentaram esconder o que estavam sentido falharam totalmente. Mesmo que esses indivíduos tenham conseguido disfarçar essas emoções por fora, exames de imagem revelaram que seus cérebros estavam com as mesmas regiões ativadas nos cérebros dos outros indivíduos.

O que funciona mesmo é descrever a emoção ruim que se sente com apenas uma ou duas palavras que possam ajudar a dar um nome para essa negatividade. Esse exercício simples vai fazer com que o sentimento de tristeza vá embora mais rápido.

Se o apelo neurocientífico não é suficiente, saiba que a meditação ensina a dar nome a sentimentos há alguns bons séculos. Nomear sentimentos é uma prática fundamental para quem busca ter um bom preparo mental.

3 – Decida-se!

Você está encarregado de decidir o local de uma festa. Depois que você faz a sua escolha, vem aquela sensação de alívio e de paz mental. Em termos científicos, tomar decisões é comprovadamente uma forma de reduzir seus níveis de preocupação e ansiedade, além, é claro, de ajudar você a resolver seus problemas.

Korb explica que isso tem a ver com o fato de que tomar decisões implica em estabelecer intenções e metas. Essas tarefas ativam regiões cerebrais que nos fazem bem e nos deixam com uma sensação de positividade. Além do mais, tomar decisões diminui nossas chances de termos impulsos negativos. Por fim, decisões tomadas nos ajudam a ter uma visão melhor do mundo.

Às vezes não é fácil tomar uma decisão, e todo mundo sabe disso. A dica aqui é se focar em decisões boas o suficiente para você. Evitar ser perfeccionista é sempre uma boa coisa. Segundo Korb, não querer que tudo saia perfeito é algo capaz de nos deixar com a sensação de que estamos no controle da situação, o que é um ótimo redutor de stress. Não é suficiente para você? Então lá vai: estar no controle de uma situação é algo que nos dá prazer.

A verdade é que estabelecer uma meta e conseguir alcançá-la, o que inclui tomar decisões, faz com que uma pessoa se sinta mais feliz do que se sentiria se alguma coisa legal acontecesse de repente, sem a intervenção dela.

4 – O bom e velho contato humano

Somos carentes e precisamos do amor e da aceitação de outras pessoas. Não ter esses dois elementos nos deixa tristes. Testes envolvendo monitoramento cerebral descobriram que a rejeição – seja ela qual for – ativa as mesmas regiões cerebrais que ficam a todo vapor quando estamos sentindo dores físicas.

“Uma das formas mais primárias de liberar ocitocina é através do toque. Obviamente, não é sempre apropriado tocar a maioria das pessoas, mas toques pequenos como apertos de mão e tapinhas nas costas são geralmente ok. Com pessoas mais próximas, faça o esforço de tocá-las com mais frequência”, recomenda o neurocientista.

Já se sabe também que esse tipo de aproximação por meio do toque é algo capaz de nos deixar mais persuasivos, melhores em trabalhos em equipe, mais galanteadores e, acredite você ou não, com uma facilidade maior para lidar com questões matemáticas.

Casais apaixonados que andam de mãos dadas estão no caminho certo. Neurocientificamente falando, esse gesto nos deixa confortáveis mesmo em situações de perigo. Em uma pesquisa citada por Korb, mulheres que achavam que iam levar choques sentiam menos medo da dor quando seguravam as mãos de seus maridos.

Abraçar também é algo extremamente benéfico em relação ao bom funcionamento do seu cérebro. “Um abraço, especialmente um longo abraço, libera o neurotransmissor e hormônio ocitocina, que reduz a atividade na amidala”; como você talvez já deve saber, é o “hormônio do amor” que nos deixa felizes e calmos.

Há uma pesquisa recente que nos propõe um teste interessante: dar cinco longos abraços por dia, todos os dias, durante quatro semanas pode aumentar consideravelmente os níveis de felicidade de uma pessoa. E por bastante tempo.

Se você não tem ninguém para abraçar, pode vir até o escritório do Mega para resolvermos esse problema. A recomendação é receber massagem, que pode aumentar a produção de serotonina em até 30%. Massagem também diminui nossos hormônios de stress e aumenta os níveis de dopamina, além, é claro, de ser uma ótima pedida para quem quer dormir bem.

A dica aqui é ter mais interação com outras pessoas e, claro, distribuir abraços longos naqueles com quem você tem mais intimidade. Depois, se resolver adotar essas atitudes, conte para a gente se deu resultado!