HGG oferece cirurgia para mudança de sexo pelo SUS em Goiânia

O Hospital Alberto Rassi (HGG) inaugurou Serviço Especializado do Processo Transexualizador – Ambulatório TX, nesta terça-feira (12), em Goiânia. O espaço oferece, gratuitamente, acompanhamento multidisciplinar para pessoas transexuais que querem fazer operação de mudança de sexo, retirara ou implante de seios e tratamento hormonal, tudo pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A unidade de saúde informou que os interessados em conseguir o atendimento precisam procurar uma unidade de saúde pública e pedir encaminhamento para o serviço de processo transsexualizador. A partir de então, o paciente será encaminhado pela Central de Regulação.

Além do HGG, o Hospital das Clínicas (HC) também oferece as operações de mudança de sexo na capital e era o único a oferecer o serviço em Goiás. Conforme o HC informou à TV Anhanguera, 168 estão cadastradas para dar início ao acompanhamento e, além destas, outras 16 já estão preparadas para passar pela cirurgia.

Coordenador do Ambulatório TX no HGG, o médico Marcos Antônio Morais explica que, para passar pela cirurgia, é necessário um acompanhamento prévio com vários profissionais da medicina por dois anos.

“Esses dois anos são o tempo de um diagnóstico para poder entender bem o que esse paciente busca, o que ele precisa e para ele ter um tempo de esclarecer para ele mesmo isso. O que ele quer realmente”, explicou em entrevista à TV Anhanguera.

Pacientes

Atendida pelo HGG no ambulatório, a professora Ester Sales, que também nasceu homem conta que está se preparando para passar por cirurgia de mudança de sexo. Ela explica a importância dessa mudança para a identidade e saúde dos pacientes

“O corpo faz parte de quem nós somos. Se o seu corpo não corresponde quem você é, a sua identidade como ser, isso vai ser um sofrimento imenso. É uma dor, uma prisão muito grande. Então, ter um corpo adequado à sua identidade vai te tornar pleno e realizado no mundo. Ser alguém de fato completo, como toda pessoa tem direito a ser”, comentou.

O atendente de call center Khell Marques conta que nasceu mulher e, para esconder os seios, usa uma faixa muito apertada no corpo. Segundo ele, não ter nascido em um corpo masculino representa um sofrimento.

“Cada vez mais a gente vai apertando. A dor é insuportável, mas a questão da gente sobreviver é muito maior que a gente chega a suportar a dor de conviver com isso”, relatou.

A atendente de call center Roberta Résio nasceu homem e também é uma das pacientes que recebe atendimento pelo Ambulatório TX. Ela conta que pretende fazer algumas mudanças no corpo. “Tenho alguns desejos, por exemplo, mamas. Minha voz é um pouco grave e eu tenho essa vontade também de ter uma voz mais suave, mais feminina”, contou.